O Bloco

Garibaldis & Sacis 2012

O Bloco Pré-Carnavalesco Garibaldis e Sacis teve início com uma provocação que o animador cultural Itaercio Rocha fez ao programa Samba de Bamba, apresentando por Rodrigo Brownie, na Rádio Educativa.

Um grito de carnaval convidando as pessoas a brincarem nos domingos pré-carnavais bastou para motivar um grupo de amigos e os foliões para planejar a festa do ano seguinte.

Em 1999, pessoas ligadas à FAP (Faculdade de Artes do Paraná), ao Mundaréu, ao Conservatório de MPB e ao Teatro de Bonecos, encontravam-se rotineiramente aos domingos de janeiro no Saccy Bar, no centro histórico de Curitiba, visando organizar como a festa seria realizada.

Foram realizadas reuniões, registradas atas e eleito o nome do bloco. Garibaldis e Sacis foi um nome proposto pela bonequeira Olga Romero. Uma alusão, e homenagem, ao itinerário idealizado pelo bloco. O ponto de partida seria o Saccy Bar até a Praça Garibaldi. Neste trajeto o bloco desfilaria convidando as pessoas a participarem de um carnaval de rua à moda antiga.

Também é uma referência à diversidade cultural curitibana, unindo um ícone das lendas populares brasileiras, o saci, às imigrações europeias.

A concentração era o momento de apresentação de novas marchinhas, pesquisas e confecção de máscaras e adereços. Nos primeiros anos era em casa de alguns dos integrantes do bloco, que depois iam para o Largo da Ordem, no centro histórico de Curitiba. Fantasiados, mascarados, com corpos pintados e repletos de ornamentos, improvisavam cantigas em ritmo de marchinha, cantando, tocando e brincando o pré-carnaval com bastante música e diversão.

Ao longo desses anos o Garibaldis e Sacis sofreu várias transformações que o ajudaram a construir e organizar uma estrutura capaz de acolher os foliões e seguidores que a cada domingo aumentava mais, a começar pela questão do som.

No primeiro ano as marchinhas foram cantadas no gogó mesmo, na garganta. A primeira evolução foi um megafone trazido por Gerson Guerra, seguida pela “Charanga do Rosinha”, um carrinho de supermercado improvisado e adaptado com equipamentos que garantiam a distribuição do som na festa. Toda essa parafernália logo recebeu uma plataforma, um som mecânico alimentado por bateria e dois microfones, era a sofisticação tecnológica transformando o improviso em uma máquina de som e alegria. Aos poucos, o bloco desfilava nas ruas e despertava a atenção dos populares, que se divertiam e seguiam, cada vez em maior número, aquele cortejo animado, muitas vezes designados como “malucos”.

2005

Paralelo ao crescimento do bloco, o aparato de som também se desenvolveu. O músico Ricardo Janoto “ô Rosinha”, mesmo criador do invento com o carrinho de supermercado, levou para as ruas do centro histórico da cidade uma kombi equipada com som, que ajudou a fazer a festa até 2008.

Nos anos seguintes, o bloco, com a ajuda financeira dos próprios foliões, contratou uma Kombi, provida de equipamentos de som, que funcionou como mini trio elétrico, ecoando pelas antigas construções.

O desfile do bloco iniciava por volta das 13 horas, enganchando no final da Feirinha de Domingo e terminava com um grande cacuriá, em que todos participavam.

Com o aumento do número de foliões que seguiam o bloco e um entrave referente ao horário da missa de domingo na igreja São Francisco, coincidia com o horário de saída do bloco, que foi adiado para às 15h30 e o ponto de partida alterado para a frente do Memorial da Cidade de Curitiba, também no Largo da Ordem.

No decorrer dos anos o Garibaldis e seus foliões começaram a realizar, periodicamente, sambas de mesa em frente ao Conservatório de MPB, no bar do Cícero, o conhecido Brasileirinho. Além dos sambas de mesa, o Garibaldis e Sacis resultou em outras duas festas populares, que, agora, ocorrem todos os anos: O Arraial da Anita, uma festa com temática Junina (quadrilha, batuques e fandangos), fora de época, realizado de maneira comunitária e, o Sarau do Saci, evento em que artistas da cidade apresentam suas poesias, músicas e histórias/contos, em frente ao relógio das flores, no centro histórico de Curitiba, uma celebração da primavera aberta ao grande público mas com forte foco na infância pois nela são homenageados o Dia de Cosmo e Damião, Dia das Crianças e Dia da Padroeira Nossa Senhora Aparecida.

Camisetas com o nome do bloco foram desenvolvidas de maneira artesanal por cada participante nos dois primeiros anos. De 2001 a 2008, foram patrocinadas por Beto Batata, exceto a referente ao ano de 2006, produzida pelo designer gráfico Gerson Guerra. Nos últimos dois anos, 2009 e 2010, foram produzidas com fundos do próprio bloco, conseguido por doações de foliões e comerciantes.

Curitiba exibe sua nova identidade para o país. Suas diferenças, suas peculiaridades e sua magia em uma festa que resgata o carnaval de rua e revela-se como referência de arte e cultura. Um pré-carnaval de misturas, em que a celebração das diferenças toma, ano a ano, as ruas do centro histórico da Cidade.

Texto: Magda Joele
Foto: Julio Garrido e arquivo

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